
Em encontro promovido pelo Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o psiquiatra, escritor e pré-candidato à Presidência da República, Augusto Cury, defendeu a construção de uma “política de projetos”, criticou o ambiente de polarização ideológica no país e debateu temas relacionados ao empreendedorismo, crédito, educação e desenvolvimento econômico.
A reunião contou com lideranças empresariais e representantes do sistema associativista, entre eles: conselheiro da Facesp, Guilherme Afif Domingos; o vice-presidente da Federação, Roberto Mateus Ordine; e a a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait.
Ao longo do encontro, o presidenciável afirmou que o Brasil precisa reconstruir sua capacidade de diálogo institucional e formular um projeto nacional voltado à geração de oportunidades, à previsibilidade econômica e ao fortalecimento do setor produtivo: “Não precisamos de uma política de ataques. Precisamos de uma política de projetos. O Brasil não pode permanecer preso a disputas permanentes enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas, insegurança e perda de perspectiva”, afirmou.
Cury criticou o agravamento da radicalização política e disse que a democracia exige convivência entre divergências. “O adversário de ideias não pode ser tratado como inimigo. Uma sociedade madura precisa reaprender a dialogar”, declarou.
Crédito, empreendedorismo e ambiente de negócios
Durante a reunião, Augusto Cury defendeu maior atenção às condições enfrentadas por comerciantes, pequenos empresários e empreendedores brasileiros, especialmente diante do alto custo do crédito, da insegurança econômica e das dificuldades para expansão dos negócios.
Segundo ele, o país precisa construir mecanismos mais eficientes de apoio à atividade produtiva, ampliar oportunidades econômicas e fortalecer instrumentos de inclusão pelo empreendedorismo: “O pequeno empreendedor precisa ser valorizado como agente de transformação econômica e social. O Brasil cresce quando quem produz consegue prosperar”, afirmou.
Ao abordar o ambiente econômico, Cury demonstrou preocupação com o elevado custo do capital no país e seus efeitos sobre investimentos, geração de empregos e competitividade. “Não existe desenvolvimento consistente quando quem produz enfrenta obstáculos excessivos para investir, crescer e inovar”, observou.
O encontro também abordou temas de interesse do setor produtivo, como o impacto de mudanças nas relações de trabalho, desafios tributários, competitividade do comércio brasileiro e necessidade de maior previsibilidade regulatória — pautas historicamente acompanhadas pela Rede de Associações Comerciais.
Educação, tecnologia e formação para o futuro
Outro eixo da discussão foi a transformação do mercado de trabalho diante do avanço da inteligência artificial e da automação.
Cury defendeu maior investimento em educação técnica, formação empreendedora e desenvolvimento de competências ligadas à inovação e ao pensamento crítico. “O mundo do trabalho está mudando rapidamente. Precisamos preparar jovens e trabalhadores para uma realidade profundamente diferente da atual”, pontuou.
Segundo ele, o país precisa ampliar oportunidades educacionais conectadas às demandas econômicas contemporâneas e estimular a formação de profissionais aptos a atuar em setores estratégicos.
Papel do associativismo e diálogo institucional
O presidente da ACSP, da Facesp e da CACB, Alfredo Cotait Neto, destacou a importância de ampliar o debate sobre temas que impactam diretamente o setor produtivo e defendeu maior participação da sociedade civil organizada na construção de soluções para o país: “O associativismo empresarial tem a responsabilidade de contribuir para os grandes debates nacionais e defender um ambiente mais favorável ao empreendedorismo, ao investimento e à geração de oportunidades”, finalizou.

Fonte: ACSP São Paulo | Fotos: André Lessa/Diário do Comércio