Twitter Facebook Instagram
Para acessar sua área PDO, insira os campos abaixo.

Associações Comerciais alertam para retrocesso em projeto que obriga notificação por AR em negativação de crédito

Notícias 29 de agosto de 2025

A Rede de Associações Comerciais participou, nesta quinta-feira (28), de audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei 7733/17, que autoriza locadores a inscreverem locatários inadimplentes em cadastros de proteção ao crédito. 

O debate ganhou relevância por conta do substitutivo apresentado pelo relator, deputado Celso Russomanno (SP), que altera o texto original e prevê a obrigatoriedade da notificação via Aviso de Recebimento (AR), antes da inclusão do devedor nos cadastros. 

Na avaliação das entidades que representam as micro e pequenas empresas e a classe empreendedora, a proposta é um grave retrocesso: aumenta custos, torna o processo mais lento e cria um sistema ultrapassado em plena era digital. 

Hoje, a notificação é feita por meios eletrônicos, considerados seguros, rápidos e acessíveis. A mudança proposta pelo relator obrigaria a comunicação por carta registrada com AR, modelo arcaico, ainda físico, e que, segundo especialistas, mais oneroso que o atual. 

“O sistema brasileiro precisa ser moderno, ágil e eficiente. A obrigatoriedade do AR representa um retrocesso que prejudica empresas e consumidores, porque encarece o processo, aumenta a burocracia e favorece o inadimplente”, afirmou Eduardo Carvalho, vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

Carvalho ressaltou que o uso de tecnologias digitais fortalece a relação de crédito e oferece oportunidades para que o devedor regularize a situação rapidamente. “Não podemos trocar um sistema moderno e barato por algo medieval”, disse. 

A proposta desestimula a negociação entre credores e devedores e compromete a recuperação de crédito no País. “As empresas brasileiras precisam de mecanismos ágeis e acessíveis para manter a circulação de crédito. Isso gera emprego e renda. Criar obstáculos somente dificultará a retomada econômica”, destacou Carvalho. 

Carlos Celso Orcesi da Costa, superintendente jurídico da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), reforçou o impacto financeiro negativo da proposta. “O AR sozinho custa sete vezes mais do que a comunicação eletrônica. Esta obrigação tornaria o sistema obsoleto e caro, penalizando o bom pagador”, alertou. 

As Associações Comerciais alertam ainda que o texto do relator pode abrir uma jurisprudência perigosa. “Bastará ao devedor se recusar a assinar o aviso para escapar da mora. Na prática, isso transforma o projeto em um estatuto de proteção ao mau pagador”, afirmou Orcesi. 

APOIO À MODERNIDADE 

O deputado Gilson Marques (SC) apresentou voto em separado contra a utilização do AR, e a proposta já foi retirada da pauta em quatro oportunidades. A audiência desta quinta-feira foi solicitada pelos deputados Aureo Ribeiro (RJ) e Cabo Gilberto Silva (PB), que presidiu a sessão.

Após ouvir os argumentos, Cabo Gilberto considerou a proposta “equivocada e prejudicial” para consumidores e empresas. “O Brasil já ocupa as últimas posições no ranking mundial de recuperação de crédito. Encarecer a negativação somente agravaria este cenário”, afirmou o parlamentar. 

Além da Rede de Associações Comerciais, participaram da audiência representantes da União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços (UNECS), da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). 

Assista a íntegra da audiência:

https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/78701

Parceiros

CACB CMEC Equifax | Boa Vista SEBRAE