
O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alfredo Cotait Neto, manifestou, nesta quarta-feira (13), preocupação com os impactos do fim da chamada "taxa das blusinhas" sobre o varejo e a indústria nacionais.
A declaração foi feita durante o painel "São Paulo Cidade dos Investimentos", realizado no São Paulo Innovation Week, na Arena Mercado Livre Pacaembu, na capital paulista. Horas antes, Cotait já havia divulgado uma nota de repúdio em que as entidades alertam para os riscos da medida, que acaba com o Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50.
No painel, Cotait reforçou que o varejo brasileiro já enfrenta desafios estruturais significativos - impulsionados tanto pelo avanço acelerado do comércio eletrônico quanto pelas transformações no comportamento do consumidor. Para ele, políticas que ampliam as vantagens competitivas de empresas estrangeiras intensificam a pressão sobre os negócios nacionais, com impacto direto sobre pequenos e médios empreendedores.
O debate contou ainda com a participação de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). Os painelistas discutiram temas centrais para o ambiente de negócios paulista, como segurança jurídica, atração de investimentos, segurança pública e custos trabalhistas.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Ao abordar a reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, Cotait afirmou que o setor produtivo aguardava um modelo mais simples e eficiente. No entanto, na avaliação do presidente das entidades, o texto em discussão pode elevar a complexidade operacional para as empresas, contrariando as expectativas do setor.
"O varejo esperava simplificação. Mas a reforma tributária vem trazendo ainda mais complexidade", declarou.
JORNADA 6X1
Cotait também se posicionou sobre o debate em torno do fim da jornada de trabalho 6x1. O dirigente afirmou que a classe empreendedora está disposta a discutir mudanças nas relações trabalhistas, mas defendeu que os custos das eventuais alterações não sejam transferidos integralmente aos empregadores.
"O empreendedor não pode arcar sozinho com mais esse custo. Estamos falando de quem investe, gera renda e mantém empregos", afirmou.
Fonte: ACSP São Paulo