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São Paulo e a recuperação econômica após a covid-19

Notícias 19 de maio de 2020

Por Carlo Barbieri 

Este vírus realmente destruiu o sonho e a esperança do mundo por dias melhores. A economia mundial ia bem. O Brasil retornava a uma linha de crescimento. O desemprego ia caindo gradualmente.

Mas, toda crise gera oportunidades e São Paulo pode tirar várias vantagens deste período e liderar a recuperação do Brasil.

Ainda mais do que antes da pandemia, o mundo vai se polarizar entre grandes nações e a ideia da globalização, que tanto nos empolgou, tantos benefícios trouxe, mas está se esgarçando. A “nova globalização” nasce dos acordos bilaterais sem compromissos universais ou mesmo de compromissos regionais.

Se compreendermos isto, vemos que o Brasil como um todo e, São Paulo em particular, podem ter um grande benefício tanto em termos de atração de capital, como em exportação.

As indústrias ocidentais, particularmente as norte-americanas, estão saindo da China e buscando novos países para ancorarem a produção industrial. Até mesmo as indústrias chinesas sabem que terão que buscar outros centros para parte de sua produção.

O Brasil, com a abertura que tem no mercado norte-americano e o recém-iniciado acordo com a União Europeia, terá preferência natural para a vinda deste capital. Com isto poderemos estar atraindo não só recursos, mas também tecnologia para dar um novo salto em nossa industrialização, tão depauperada ao longo dos últimos quase 20 anos.

E, São Paulo, com a grande base industrial, a mão de obra preparada, a eficácia no processo produtivo e a competência gerencial, seguramente, pode ser o grande polo de atração destes investimentos.

Neste novo mundo de acordos bilaterais, estamos nos livrando das amarras regionais e ideológicas e buscando estabelecer o comércio com os países que nos ofereçam melhores condições. Ora, nenhum país das Américas tem melhor relacionamento com o maior país consumidor do mundo, os Estados Unidos.

São mais de $21 trilhões de PIB, com uma população de 320 milhões, que ganha, em média, mais de $65 mil por ano e é altamente consumidora. Apesar de ser o mais atingido pela pandemia, será o primeiro a sair da crise.

Os EUA importam $800 bilhões por ano da China e seguramente vai tratar de importar menos. Temos todas as chances de ocupar um bom espaço que será deixado vazio.

Isto, sem deixar de exportar para a China, que seguirá necessitando de produtos, particularmente comodities, que o Brasil pode seguir fornecendo e que os chineses darão preferência a comprar do Brasil, ao invés dos EUA, que, aliás, já está enfrentado  dificuldade na produção agrícola e de proteínas animais.

Em quase 50 anos de comércio exterior, dos quais 30 vividos nos EUA, nunca vi oportunidade tão fenomenal para exportamos para este país.

Seguramente não é fácil competir nos EUA, mas, temos no Brasil, competência e capacidade. Somente precisamos uma dose de humildade, para sabermos que é um mercado maduro e com cultura e hábitos próprios, o qual temos que conhecer e respeitar. A improvisação e a empáfia podem custar muito caro neste país. 

Carlo Barbieri é presidente da Oxford Group, economista e advogado com larga experiência em comércio exterior.

 

Artigo publicado após articulação do vice-presidente da Facesp, Farid Murad.

Mais informações sobre a Oxford Group: http://oxfordusa.com/

 

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