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Não é possível prever até quando serão necessárias conter o avanço do Covid-19

Notícias 01 de junho de 2020

Osvaldo Cruz vive, desde o dia 23 de março uma situação inédita até então. Com a pandemia do COVID-19, lojas consideradas de serviços não essenciais ficaram impedidas de funcionar normalmente. O futuro de muitas empresas segue incerto e O Informativo foi ouvir a opinião de um especialista na área de Administração de Empresas: Paulo Roberto da Silva, Mestre em Educação e com graduação em Ciências Contábeis pela Faculdade de Administração e de Ciências Contábeis de Tupã e graduação em Administração pela Faculdade de Administração e de Ciências Contábeis de Tupã. Possui licenciatura em Administração e Controles pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo, especialização em Administração Global e Marketing, MBA em Gestão Estratégica e de Marketing, especialização em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica. Atualmente é Professor de Ensino Médio e Técnico (III-I) do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, atua como Diretor de Escola Técnica do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, na Etec Amim Jundi (Osvaldo Cruz) e Professor de Ensino Superior (III-E) da Faculdade de Tecnologia de Presidente Prudente, atua como Professor na Faculdade Reges de Osvaldo Cruz (Rede Gonzaga de Ensino Superior). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração Financeira, atuando principalmente nos seguintes temas: gestão financeira e de custos, contabilidade, gestão da qualidade e competitividade, logística e educação profissional e um dos Coordenadores do Multiplic, Fórum Permanente de Desenvolvimento Econômico e Social de Osvaldo Cruz. Na entrevista, ele fala sobre o atual cenário vivido e suas perspectivas para esse período. Confira:

 

O Informativo: Como você, que é Professor da área de Administração, vê o fechamento do comércio em geral, no final do mês de março. Naquele momento, dava para fazer uma previsão de quanto tempo as empresas, em geral, iriam suportar sem poder trabalhar normalmente?

Paulo Roberto: Até o momento, ainda não é possível prever até quando serão necessárias medidas para conter o avanço do Covid-19, tampouco, fazer previsão de quanto tempo as empresas suportam. Alguns poucos setores econômicos estão crescendo atualmente, o que não é a realidade da grande maioria das empresas.

Na atual situação, a sobrevivência de uma empresa depende de muitas variáveis, a começar pelo grau em que foi afetada pelo fechamento, assim como a falta de alternativas para a continuidade do negócio, a saúde financeira, a possibilidade ou não de renegociação e a falta de crédito para suportar os compromissos já assumidos, o grau de alavancagem financeira, a falta de possibilidade de adaptação à nova realidade causada pelo isolamento social, o perfil dos seus consumidores, a essencialidade de seus produtos e serviços para o momento atual, dentre outros.

 

O Informativo: Como você enxerga esse dilema que a maioria dos empresários teve que lidar, entre manter o isolamento e com isso tentar manter baixas as taxas de transmissão do vírus contra o risco de ver a saúde financeira de suas empresas afetadas?

Paulo Roberto: O fechamento foi decretado, portanto, independente da condição em que muitos se encontravam e do ramo de atividade em que atuam, não houve alternativa a não ser o cumprimento do estabelecido. Para tentar manter as atividades, os empresários tiveram que usar a criatividade e se reinventar, buscando alternativas e novos mercados, como aproveitar o momento para produzir e vender máscaras e outros produtos voltados para a superação do atual momento de pandemia. Ressalto que esta não é a realidade da maioria das empresas, inclusive, mesmo com o delivery, por exemplo, a maioria das empresas não conseguiram manter o nível de faturamento, o que financeiramente, na maioria das situações, impactam em não suportar o montante dos custos fixos.

 

O Informativo: Como as decisões muitas vezes conflitantes das autoridades influenciam na dinâmica de retomada da economia?

Paulo Roberto: O grande problema é que até hoje não vemos um alinhamento nas políticas adotadas, sejam de saúde ou econômicas. As autoridades constituídas deveriam assumir a responsabilidade e não ficarem, ao que nos parece, numa disputa. Deveriam colocar a saúde da população e a manutenção do emprego e renda como objetivos principais, desta forma, poderiam discutir conjuntamente as medidas necessárias, algo que deveria ter ocorrido desde o primeiro indício de propagação do novo Corona vírus. De uma forma geral, ao questionarem as autoridades encarregadas pela saúde, tenderão a indicar o isolamento social com vistas a preservar vidas e a não proliferação do vírus, já para as autoridades econômicas tenderão a indicar a necessidade de retomada das atividades empresariais, tendo em vista que os impactos negativos gerados na economia, que seguramente impactarão e agravarão aspectos econômicos e sociais. É relevante destacar que no mundo ainda pairam dúvidas quanto ao surgimento de novas ondas de contaminação e propagação, assim como no Brasil. Ainda, temos que considerar que há diferenças regionais significativas em nosso país, porém, as medidas para combate ao avanço do Covid-19 talvez tenham sido tardias, principalmente se considerarmos que o surgimento do novo vírus não ocorreu em março, quando começaram as primeiras medidas efetivas no Brasil, e enquanto não houver o desenvolvimento de vacina capaz de imunizar a população, teremos que conviver com a adoção de medidas que atenderão os anseios de uns e desagradarão outros.

 

O Informativo: Algo em torno de 600 mil empresas já quebraram no Brasil e o número de desempregados pode chegar a 14 milhões em dezembro. Aqui em Osvaldo Cruz, alguns empresários não conseguiram manter suas firmas abertas também. É possível uma avaliação do impacto do desemprego e do fechamento de negócios em Osvaldo Cruz?

Paulo Roberto: Apesar das expectativas de retomada das atividades econômicas, há possibilidade de novas ondas de contágio, que possivelmente implicará na continuidade de medidas restritivas que dificulta possíveis previsões. O fato é que, mesmo retomando as atividades econômicas, por conta do grande número de fechamento de empresas e o desemprego gerado, algo que infelizmente está sujeito a crescer, houve mudança no comportamento dos consumidores, nos níveis e nos padrões de consumo. Para que a economia funcione de forma adequada é imprescindível haver distribuição de renda e aumento do grau de confiança do consumidor e da classe empresarial no mercado, possibilitando a realização de planejamento, sem sustos, algo extremamente improvável no momento. As crises econômicas geram oportunidades para alguns, mas para a grande maioria, por falta de previsibilidade e dos severos impactos que causam, naturalmente acabam reduzindo o consumo. Com baixa demanda, o comércio é um dos primeiros setores a sentir dificuldades, por consequência, com reflexos nas indústrias e nos prestadores de serviços, causando um círculo vicioso, ampliando as dificuldades. Ao contrário, havendo distribuição de renda e consumo, há estímulo ao comércio, o que gera mais pedidos às indústrias e um maior volume na prestação de serviços, gerando um círculo virtuoso de expansão econômica, afetando positivamente as empresas e gerando mais postos de trabalho e renda às pessoas.

 

O Informativo: Como você vê a questão da adaptação às novas tecnologias por parte dos empresários locais? Esse é um caminho sem volta?

Paulo Roberto: Há muito se fala que sobreviverão no mercado as empresas mais ágeis, que sejam capazes de se reinventar e estarem atentas à realidade do mercado em que atuam, aos concorrentes e às novas oportunidades. As novas tecnologias são oportunidades para a grande maioria das empresas, portanto, é um caminho sem volta. O fato é que impactam de forma distinta em cada atividade, mas as empresas precisarão se reorganizar e ajustar, talvez para trabalhar de forma híbrida, ou seja, com uso das tecnologias aliada ao atendimento presencial. Os empresários devem ter a sensibilidade para conduzir as organizações para um ciclo de desenvolvimento à nova realidade de mercado, para um mundo mais competitivo e conectado.

O mundo não tem barreiras para os negócios, portanto, assim como empresários de diversos países ganham o mundo, preparados e competitivos, também deve ser a premissa do empresariado brasileiro. No Brasil tudo estava acontecendo de forma vagarosa e com a atual situação (pandemia) houve uma aceleração no uso das tecnologias em diversos segmentos, o que será questão de sobrevivência. As empresas precisarão fazer um planejamento minucioso e repensar suas estratégias, passando a investir na utilização de novas tecnologias e buscar novos mercados, novas formas de atuação e expansão. É importante ter a consciência de que a competitividade das empresas passa por um movimento de transformação digital, mas não se restringe a utilização de tecnologias, também é importante investir na qualificação e valorização de seus colaboradores e do próprio empresário. Dentro das empresas há muitas pessoas criativas e capazes, profissionais extremamente importantes que muitas vezes não são adequadamente aproveitados e valorizados. Até hoje, muitas empresas atuam com base no conhecimento empírico, que muitas vezes funciona, mas em muitas situações é preciso ir além, sendo imprescindível renovar e investir em novos conhecimentos e tentar se antecipar aos movimentos e oportunidades do mercado.

 

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