O comércio eletrônico brasileiro fechou 2025 com o maior faturamento da história, com R$ 295,6 bilhões. Um avanço de 20% sobre 2024 e um salto de R$ 48 bilhões entre os dois períodos.
Os dados são da Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), construído com base em fontes como o Observatório do Comércio Eletrônico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O crescimento é puxado por uma combinação de fatores, entre eles, mais investimentos em hubs de distribuição e logística, avanço de pequenos negócios totalmente on-line, prazos de entrega cada vez menores e uma mudança estrutural no comportamento de compra dos consumidores.
Como resultado, o e-commerce já responde por 6,5% de tudo o que o varejo faturou em 2025, ante 5,4% em 2024 e 5,1% em 2023.
Na última década, a expansão foi ainda mais expressiva: o setor saiu de R$ 55,9 bilhões em 2016 para os atuais R$ 295,6 bilhões, alta de 429%, e passou a representar seis vezes mais o varejo físico do que representava naquele ano.
O perfil dos produtos mais vendidos também mudou. Se os eletrônicos historicamente puxaram o setor, hoje dividem espaço com itens de reposição frequente.
Em 2025, o smartphone liderou as vendas on-line, com R$ 10,3 bilhões em faturamento, seguido por livros, com R$ 9,5 bilhões, e por suplementos alimentares, como o whey protein, com R$ 6,6 bilhões. Um sinal de que o e-commerce deixou de depender de um único segmento e passou a capturar nichos de consumo recorrente.
SÃO PAULO
A concentração geográfica, no entanto, segue marcante. São Paulo responde por 55,8% de todo o faturamento do e-commerce nacional, o equivalente a R$ 165 bilhões, reflexo da presença de centros de distribuição, plataformas e empreendedores digitais no Estado.
Minas Gerais aparece na sequência, com 12,9% do faturamento. Do lado do consumo, o cenário é mais distribuído. São Paulo concentra 31,4% das compras online, mas Minas Gerais (12,8%), Rio de Janeiro (9,3%), Paraná (5,9%) e Bahia (5,3%) já dividem parcelas relevantes do mercado consumidor.
Esse equilíbrio tende a ser testado pela Reforma Tributária. Como a cobrança do imposto deixará de ocorrer na origem — sede de quem vende — para passar a incidir no destino — sede de quem compra —, Estados vendedores líquidos, como São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Minas Gerais, devem perder arrecadação, enquanto consumidores líquidos, como Pernambuco e Paraná, tendem a se beneficiar.
SIMPLES NACIONAL
A mudança também preocupa pelo impacto sobre o Simples Nacional. A participação de empreendedores desse regime nas vendas online saltou de 3,6% para 34% em poucos anos, e qualquer alteração nas regras pode frear a entrada de novos negócios no setor.
Apesar dos desafios regulatórios, a expectativa é que haja uma expansão contínua do comércio eletrônico nos próximos anos. O volume de investimentos, a ampliação das estruturas logísticas e a chegada constante de novos consumidores sustentam essa trajetória — o IBGE já registra que 52% da população brasileira fez ao menos uma compra pela internet em 2025, ante 48% em 2022.
Para o varejo, o cenário representa uma oportunidade concreta, desde que aproveitada com estratégia. Nos polos já consolidados, quem investir em logística, estoque e comunicação com o público vão se destacar, mas o avanço do consumo digital pelo País abre espaço para novos negócios em praticamente todas as regiões.
Confira todos os dados da Radiografia do E-commerce.
Fonte: FecomercioSP