
A Rede de Associações Comerciais realiza um trabalho de articulação em Brasília para adiar a votação da proposta que prevê a redução da jornada de trabalho no País. A avaliação do sistema associativista é que o tema exige um debate mais amplo e técnico, com análise dos impactos sobre micro, pequenas e médias empresas e sobre o mercado de trabalho.
A estratégia é evitar que a proposta seja votada de forma precipitada no Congresso Nacional. A ideia é que todos os setores envolvidos participem da discussão, permitindo uma avaliação mais aprofundada das consequências econômicas e sociais da medida.
Para tratar do tema, Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), se reunirá com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, nesta terça-feira (17/03), em Brasília. O encontro foi intermediado pelo presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), deputado Joaquim Passarinho.
A articulação foi informada nesta segunda-feira (16/03), durante reunião conjunta dos Conselhos Superior e Diretor da Facesp, realizada na sede da Federação, na capital paulista.
“Nossa estratégia é clara: este projeto do fim da jornada 6x1 não pode ser colocado em votação neste momento, porque o debate está contaminado pela busca de votos e pelo populismo. É fundamental ouvir os pequenos negócios e quem efetivamente gera empregos no País”, afirmou Cotait.
Durante a reunião com o presidente da Câmara, Cotait também pretende tratar de outros dois temas considerados prioritários pelo sistema associativista: a proteção do Simples Nacional no processo de regulamentação da reforma tributária e a tramitação do projeto que institui o voto distrital, com proposta de implementação nas eleições de 2030.
A Facesp também planeja convidar o deputado Domingos Neto, relator da proposta do voto distrital, para participar de reuniões com o objetivo de debater o projeto.

PROTAGONISMO POLÍTICO
Durante a reunião dos conselhos da Facesp, o conselheiro Guilherme Afif Domingos destacou a importância da mobilização da sociedade civil organizada e do sistema associativista diante do atual cenário político.
“Não somos revolucionários, mas evolucionários. Precisamos assumir o protagonismo que nos cabe e trabalhar para melhorar o cenário político-administrativo do Brasil. Caso contrário, corremos o risco de retrocessos importantes, inclusive em relação ao Simples Nacional”, afirmou.
Afif ressaltou que as Associações Comerciais devem manter posicionamento político, sem vínculo partidário, sempre em defesa das pautas relacionadas ao empreendedorismo e à livre iniciativa.
“A Facesp e cada Associação Comercial precisam estruturar um plano para apoiar a eleição de deputados comprometidos com o sistema associativista”, disse.
O vice-presidente de Assuntos Institucionais e Governamentais da Facesp, Gilberto Kassab, também reforçou a importância da mobilização da rede associativista.
“A rede de Associações Comerciais precisa exercer protagonismo político. Temos força para evitar retrocessos, mas isso exige um sistema coeso e mobilizado”, afirmou.
Já o conselheiro da Facesp, Marco Bertaiolli, destacou que o fortalecimento institucional das Associações Comerciais depende de modernização e capacidade de adaptação.
“Nossa rede exige agilidade, modernidade e criatividade para superar obstáculos sem comprometer conquistas já estabelecidas”, afirmou.
Durante a reunião conjunta, os conselhos da Facesp também homologaram a presidência e as vice-presidências da entidade para o mandato 2026-2028, confirmando Alfredo Cotait Neto como presidente. A decisão consolida a unificação da presidência da CACB, da Facesp e da Associação Comercial de São Paulo.
